Quando a morte atravessa a rotina
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Na tarde de sexta-feira, dia 05 de Novembro de 2021 fomos surpreendidos com a notícia da morte da cantora Marília Mendonça num acidente de avião.

Foi exatamente “surpreendida” que me senti quando recebi a notícia.

Imediatamente após saber da morte de Marília, pensei: “Nossa! A Marília? Mas ela é super nova e tem um filho!” Após este pensamento outros se seguiram: “Nossa! Ela é mais nova que eu!”, “Ela morreu num acidente de avião e eu mesma tenho uma viagem de avião programada”, “Poderia ter sido comigo”, “Nossa! Como seria para meus filhos se eu morresse de repente?”… e assim foi.

Fui continuando com meus pensamentos enquanto dirigia o meu carro e pensava que eu posso morrer num acidente besta de carro, ou de repente posso descobrir alguma doença que ameace a minha vida e ter de lidar com essa realidade mais próxima e concreta do que já é normalmente.

A morte escancarada por uma tragédia como a morte de um grande artista que todos conhecem ou as inúmeras tragédias que temos assistidos meio anestesiados nos coloca diante da fragilidade da vida, da nossa finitude e nos faz sentir mais inseguros e conscientes de tudo o que não controlamos. Um evento como esse nos conecta com tudo o que ainda queremos fazer mais não temos a certeza se poderemos.

            Quando nossa rotina é atravessada pela morte… Opa! É um susto! E queremos saber tudo o que for possível até para entender o que aconteceu e confirmar que “dessa vez não foi comigo”. Poderia ter sido comigo, mas não foi dessa vez.

            A vida é breve. Para alguns esse breve dura 100 anos para outros poucas horas… alguns vivem só a vida que lhe foi possível antes mesmo de nascer. Dentro do útero.

            Marília viveu 26 anos, eu não sei quantos poderei viver, mas quero me sentir presente em cada instante de minha existência, não quero me deixar absorver pela rotina de afazeres e prazos, correndo atrás sei lá do que. Quero que entre uma obrigação e outra, entre um prazo e outro haja tempo para eu cultivar afetos, lembrar de respirar fundo, consiga enxergar algumas belezas… enfim. Estar presente significa viver e vivenciar tudo de verdade, com gratidão pelo que se tem de bom como também se permitindo vivenciar os impactos das reviravoltas da vida. Viver o luto para não viver de luto.

Karina Zanini Marques

Karina Zanini Marques

Tradutora formada pela Univem desde 2003 e Psicóloga formada pela Unimar desde 2010 (CRP 06/103536) tem se dedicado profissionalmente única e exclusivamente ao ofício de Psicóloga.

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