Os lutos femininos do câncer de mama
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram

O que primeiro vem à sua mente quando o assunto é luto?

Talvez você pense em morte, sofrimento, despedida, roupas pretas…

Sim. Todas estas associações são possíveis.

Mas, e quanto ao que se sente quando o que se perde não é a vida de alguém amado, mas a sua própria condição de saudável? Estaríamos falando de um processo de luto também nestes casos?

A resposta é sim.

O conceito de luto é amplo. Luto é a reação a uma perda e esta perda pode ser real ou simbólica.

Perda realé a perda de uma pessoa, animal ou objeto querido e a perda simbólica é a perda de um ideal, de uma expectativa ou de uma potencialidade.

 Logo, o luto não é entendido somente no contexto da perda pela morte de uma pessoa querida, mas, também, na perspectiva da perda da saúde.

Quando a doença é câncer, estamos falando de uma doença que carrega o estigma de “sentença de morte”, o que nem sempre condiz com a realidade, mas que gera nos pacientes curados do ponto de vista médico, uma ferida psíquica que faz com que qualquer dor, verruga ou mancha traga memórias representante do fantasma da recidiva.

O seio, o cabelo e a fertilidade são associados à feminilidade e quando o câncer é na mama e o tratamento envolve a retirada do seio e outras terapêuticas com mudanças na imagem corporal, temos que valorizar o fato de que estas mulheres estão lutando também para manter viva sua feminilidade.

É mais fácil compreender o desespero de uma pessoa ao receber a notícia do falecimento de um ente querido do que compreender o desespero de uma mulher ao receber a notícia de que o tratamento que poderá curar-lhe do câncer terá consequências para a sua fertilidade e derrubará seus cabelos, mas as recriminações em torno do sofrimento dessas mulheres aumentam a sensação de solidão por não serem compreendidas em sua angústia.

Acolha toda forma de luto, ouça mais e julgue menos. Facilite a elaboração das perdas com empatia.

Karina Zanini Marques

Karina Zanini Marques

Tradutora formada pela Univem desde 2003 e Psicóloga formada pela Unimar desde 2010 (CRP 06/103536) tem se dedicado profissionalmente única e exclusivamente ao ofício de Psicóloga.

Deixe seu Comentário

Queremos te contar tudo o que acontece na Angelus!

Prometemos não enviar Spam. Conheça nossa Política de Privacidade para mais informações.

Você move nossa evolução.