Todo arco-íris faz lembrar de uma tempestade
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Quanta expectativa se cria com a descoberta de uma gravidez! Quanta felicidade! Agora somos três! Ou mais, quando já se tem filhos.

Se a gravidez era desejada e o casal estava tentando engravidar, são inundados por uma felicidade que não podem conter e vão logo marcar a primeira consulta do pré-natal. Neste momento, assistir a vídeos sobre o desenvolvimento embrionário ou procurar saber de que tamanho é o feto mês a mês é algo inevitável.

Agora imaginem a alegria e a expectativa desses pais no momento do primeiro ultrassom! Vão escutar o coraçãozinho! Animados, imaginam como suas vidas serão transformadas a partir deste momento. 

O silêncio se instala na sala de exames e o único som que ouvem é o do médico dizendo: “Sinto muito, esta gestação é anembrionária. Não tem embrião aqui. É um erro genético. Sinto muito”. O vazio no útero invade a alma do casal e começam a chorar porque já não há mais nada a ser feito.

Nenhum luto é comparável ou pode ser classificado em alguma hierarquia, embora a nossa sociedade faça isso com frequência, transformando a perda gestacional precoce na mais invalidada. A dor pela perda de uma gestação no primeiro trimestre é subestimada e os pais ouvem que não existe motivo para sofrimento, já que podem engravidar novamente.

Se você quer ajudar alguém que sofreu uma perda gestacional, a primeira coisa, portanto, é não subestimar a dor. Entendam, não foi só um pequeno feto que se perdeu, foi a esperança e tudo em que aquele feto se transformaria. Perdeu-se a alegria de uma gestação saudável e bem sucedida, sonhos foram interrompidos.

A mulher perdeu um poder. Sente-se menos mulher, sente que não é tão capaz quanto tantas mulheres que conseguem levar uma gravidez tranquila até o nono mês.

Uma tempestade está sendo vivida por este casal, que precisará de tempo para entender o que houve, abrandar o sentimento de fracasso e culpa antes de se sentirem capazes de olhar para o futuro e se sentirem esperançosos de que a vida continua e que eles também poderão se multiplicar e ser três, quatro ou quantos quiserem.

O arco-íris é lindo, mas faz lembrar da tempestade. Da mesma forma, não é possível apagar da memória um filho morto antes de nascer porque outro nasceu bem.

Karina Zanini Marques 

CRP 06/103536

Karina Zanini Marques

Karina Zanini Marques

Tradutora formada pela Univem desde 2003 e Psicóloga formada pela Unimar desde 2010 (CRP 06/103536) tem se dedicado profissionalmente única e exclusivamente ao ofício de Psicóloga.

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