A perda de um filho e o impacto desta perda para os pais
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A perda de um filho parece ir contra a ordem natural das coisas e leva a um tipo de luto diferente, com muitas adaptações. Um filho é a extensão biológica e psicológica de seus pais, daí a sensação de se ter perdido um pedaço de si mesmo. Com a perda de um filho, perde-se também perspectiva de futuro, a possibilidade de realizar sonhos e projetos através deles.

O luto por um filho é marcado por muita culpa e revolta. Boa parte dessa culpa por não terem conseguido evitar o ocorrido ou por ter continuado vivo.  Pensam: Será que fiz o suficiente? Porque ele se foi e não eu?

Não existe uma idade pior, mas em cada etapa da vida há fatores que dificultam a elaboração da perda. Na adolescência, por exemplo as chances de conflitos entre pais e filhos são maiores, e a existência de conflitos complica a elaboração do luto.

As circunstâncias da perda também interferem nas reações a ela. Uma morte por suicídio, por exemplo, é sempre mais difícil de digerir, assim como as mortes violentas e trágicas ou que possam intensificar sentimentos de culpa.

Além disso, com a perda de um filho, o relacionamento dos casais sofre um grande impacto e é comum ocorrerem separações. A maneira como cada um dos parceiros expressa sua dor é diferente e muitas vezes é daí que surgem os conflitos. A mãe, por exemplo, pode sentir-se sozinha em seu luto, interpretando mal o silêncio do marido que luta para conter sua dor na tentativa de poupar a esposa. Estas tentativas de evitar o sofrimento do outro ao bloquear o diálogo geram um distanciamento entre os casais, pois prejudicam a comunicação.

Só quem perdeu um filho sabe o que esta perda representa. A partir do momento que a pessoa entende o seu ritmo e seus limites para enfrentar a adaptação, vai lentamente se organizando diante deste sofrimento. O vínculo materno ou paterno é único e para sempre. A ferida aberta passa aos poucos a cicatrizar-se, mas nunca se apaga. 

Apesar de os enlutados se alimentarem da dor por muito tempo, aos poucos vão se percebendo divertindo-se, produzindo, trabalhando, enfim, vivendo novamente. No entanto, nunca serão a mesma pessoa de antes, pois esta experiência faz com que as pessoas revejam uma série de valores, crenças e comportamentos. Ainda assim, essa readaptação é importante e necessária. Encontrar maneiras de lidar com a dor e enxergar além dela são passos importantes.

Karina Zanini Marques 

CRP 06/103536

Karina Zanini Marques

Karina Zanini Marques

Tradutora formada pela Univem desde 2003 e Psicóloga formada pela Unimar desde 2010 (CRP 06/103536) tem se dedicado profissionalmente única e exclusivamente ao ofício de Psicóloga.

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